"Aquilo que não se exprime, se imprime."
Anne Ancelin Schutzenberger

Anne Ancelin Schutzenberger, psicóloga francesa, desenvolveu um método a partir dos diversos estudos transgeracionais, que desde os anos 50 quando estava nos Estados Unidos tinha começado a se aprofundar.

A questão das transmissões psíquicas inconscientes entre gerações foi entendida de certa forma, entre vários por Jung, mas é Anne Ancelin que, a partir dos estudos estatísticos de Josephine Hilgard sobre repetições familiares, juntando a teoria sistêmica da escola de Palo Alto e as analises de Boszomenyi-Nagy sobre lealdades invisíveis, soube fazer uma síntese e propôs um modelo teórico e prático.

Anne Ancelin propõe o genossociograma de Henry Colomb como instrumento terapêutico que é a junção do genograma e da sociometria de Edgar Moreno e a representação gráfica da constelação familiar (Bert Hellinger) com os seus distúrbios e os seus problemas.

Chama Psicogenealogia o trabalho com o genossociograma ou árvore psicogenealógica.

Segundo este método, os traumas, os segredos, os conflitos vividos de modo dramático, podem condicionar por transmissão transgeracional, os descendentes que podem tornar-se portadores de distúrbios, doenças ou comportamentos estranhos e inexplicáveis. A partir da ampliação da consciência destas transmissões, ajudam a liberar-se das repetições.

Os objetivos da psicogenealogia são:

O modelo psicogenealógico trabalha vários níveis ao mesmo tempo:

Também faz a diferenciação entre:

Tudo acontece como se qualquer coisa que não pode ser esquecida se transmita de geração em geração. Como se não pudesse esquecer um acontecimento da vida, como se não pudesse não esquecer, mas também não falar, transmitindo-o em silencio. Anne Ancelin Schutzenberger

A prática clínica

A Psicogenealogia que Anne Ancelin propõe é um trabalho de observação e de sínteses em colaboração como o cliente no sentido rogeriano: não tem uma doença, portanto o paciente/cliente está no mesmo nível do terapeuta que procura com ele as soluções.

A abordagem deve ser centrada sobre o outro, sobre a comunicação verbal e não verbal, a expressão indireta dos sentimentos e das sensações através da linguagem do corpo, a postura, o gestual, o ritmo respiratório, a ocupação do espaço, as micro tensões musculares, etc. O terapeuta deve ser capaz de perceber todos os sinais significativos que o ajude a criar hipóteses e poder fazer perguntas pertinentes que podem ajudar a pessoa no seu trabalho de memória familiar.

O trabalho de psicogenealogia começa com uma sessão na qual a pessoa fala de si mesma desenhando a sua árvore genealógica com os acontecimentos importantes dos membros da família – casamentos, nascimentos, partidas, mudanças, divórcios, separações, mortes, etc.

Anne Ancelin através desta prática demonstrou que colocar em evidencia um trauma familiar passado e falar, permite de fazê-lo sair da sua cripta e, mesmo que frequentemente não seja suficiente para uma mudança de vida ou de saúde, ajuda e é um primeiro passo para uma melhora.

Anne Ancelin se ocupou, durante muitos anos, de acompanhar enfermos de câncer em fase terminal e já tinha recolhido em 1993, antes da publicação de seu livro Meus antepassados, um arquivo de quase quatrocentos genossociogramas.

“No curso da minha vida de terapeuta, vi famílias que reproduziam doenças, incidentes ou mortes involuntárias, uma, duas ou até mais gerações sem que entendesse o porquê, como uma marca sobre o corpo ou uma incisão sobre o tempo. ”

Anne Ancelin Schutzenberger

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Jaqueline Cássia de Oliveira
Psicoterapeuta Familiar Sistêmica – Brasil
Psicogenealogista – Itália

A PSICOGENEALOGIA SISTÊMICA APLICADA

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https://vimeo.com/408058875/d349e103b8